Recentemente tive o privilégio de desenvolver em parceria com o designer Jota Personal o projeto gráfico do primeiro CD da banda Piracabeça. Quando recebi o convite no meio do ano, logo vi que ali eu não estaria apenas dando a minha contribuição para a realização de um sonho dos garotos da banda, mas que acabava de me envolver em um projeto de muito valor para a cidade de Piranga.
A gravação do CD Piracabeça já é por si só um marco na história cultural da cidade, pois trata-se do primeiro trabalho musical, e de inteira autoria, de um artista local. Obviamente que hoje em dia contamos com toda uma tecnologia a nosso favor que nos possibilita tornar o feito de ter um disco gravado muito mais acessível do que em outros tempos, mas nem por isso podemos diminuir a importância desse registro e a representatividade que o trabalho idealizado por esses jovens tem para a cidade.
Para que no futuro isso não acabe se tornando mais um acontecimento isolado na história de Piranga, é preciso que a sociedade esteja consciente do seu papel na valorização de qualquer tipo de iniciativa como essa. Só assim abriremos os caminhos para que muitos outros piranguenses, independente da idade, sintam-se incentivados a exteriorizarem suas idéias por meio da arte, seja na própria música, nas artes plásicas, literatura, poesia, fotografia ou qualquer outro tipo de manifestação cultural. Isso não só cria mais opções de entretenimento para a região, como contribui para elevar o nome de Piranga no cenário cultural mineiro.
Não resta dúvida de que e possível fazer muita coisa boa por aí, mas para isso temos que reaprender a fertilizar os talentos culturais dessa terra, sem distinções partidárias ou, como diz a própria Piracabeça: “livre de qualquer preconceito. Seja ele de raça, de credo ou de cor”. Eu já comecei e confesso que foi muito bom.
Valter Meksenis
Rio, 12/12/2006
Artigo publicado na edição de dezembro do Jornal Tribuna de Piranga.
